Lendas e tradições

TESOIRO DA EIRA VELHA
Quando os Mouros deixaram a eira velha dizem que eles esconderam ai um boi de ouro. Conforme os carros de bois passavam nas “Regueiras” ia Comendo ouro.
D. Laura
- Na eira velha diziam que havia uma cidade de mouros com um poço muito fundo. Desse poço derivavam muitas minas ai se escondiam os Mouros.
- Há quem diga que eles chegavam ao pé da terra e diziam “Abre-te terra” e a terra abria e eles desapareciam.
Sr. Amadeu Lopes
Fervença-Lamas
Aqui em Lamas há umas Lapas que vão até aos Casais de São Clemente há uma fonte, chamada a Fonte de Moira, um dia passou lá gente e viu umas ameixas estendidas ao sol. Um homem resolveu apanhar uma, mas mais “adiantezinho” viu que era uma libra, depressa voltou atrás mas não viu mais nada, só ouviu uma voz: - aproveitasses, aproveitasses, aproveitasses
Diziam que eram os moiros que punha o ouro ao sol.
Sr. Amadeu Lopes
Fervença-Lamas
N.ª Senhora da Memória
Santa muito devota na região de Lamas, a capela foi mandada erguer, por alguém que ai se encontra enterrada deste 1679, no Vale de Lamas.
Quanto as promessas a N.ª Senhora da Memória são atendidas as pessoas oferecem, bebidas (As bebidas são broas, ofertas que se dão no largo em frente a capela a quem ai aparecer). Oferecem-se ainda a Nossa Senhora bustos de cera, velas, tranças de cabelo, fotografias...
A capela já ardeu e diz o povo que N.ª Senhora quis fugir, uma vez que quando os populares chegaram ao local do fogo, a Santa estava a porta da capela.
A capela foi reconstruída com donativos oferecidos pelos moradores da freguesia.
 
ROMARIA A SENHORA DO PRANTO
A Senhora do Pranto começou há mais de 100 anos, com uma praga de gafanhotos que houve. O povo prometeu que se os bichos se fossem embora iam a Dornes à Senhora do Pranto. O pedido foi atendido, e todos os anos se faz Romaria.
Pelos Santos há um peditório para a festa de Senhora do Pranto. Leva-se uma bandeira que percorre as casa e as pessoas oferecem dinheiro ou milho. Na Pascoela faz-se a festa e na senana a seguir, na sexta-feira, a bandeira sai de Lamas as sete a manhã numa romaria a pé até Dornes (perto da Barragem do Castelo de Bode).
As pessoas vão sempre a andar parando apenas para comer. As pessoas antigamente dormiam em casas que se alugavam. Hoje a Casa Paroquial alberga as pessoas.
No domingo a romaria sai de Dornes às 5 horas da manhã com a bandeira e chegam a Lamas por volta das 6 horas da tarde.
Antigamente fazia-se um baile, as pessoas vinham cansadas, mas ainda dançavam.
Dizem que a Senhora do Pranto chora quando o povo se vem embora.
 
COMO É LEVADA A BANDEIRA DA SRª DO PRANTO
A bandeira vai armada de Lamas até Pousafoles aí desarma-se e vai numa caixa.
Perto de Dornes é novamente armarda e tem que entrar na igreja antes das 19 horas. A bandeira fica na igreja até sábado à noite quando os romeiros a vão buscar para partirem de Dornes às 5 da manhã de domingo.
Em chegando às Vendas a bandeira é armada e aí se junta o rancho todo.
No alto de Podentes ao Pinheiro Manso deita-se um foguete que é ouvido em Lamas avisando as pessoas que a romaria está a chegar.
Em Podentes logo que o sacristão aviste a bandeira toca os sinos e só depois de a perder de vista é que os sinos para de tocar. Segue para Pausafoles onde uma banda a espera, passando pelo meio do lugar as pessoas deitam das janelas, flores.
Chegando a Lamas as pessoas estão à espera na “Estação” com um ramo. Aqui troca-se o ramo velho por o novo que vai na ponta da bandeira. O ramo era feito por uma senhora que já morreu, ficando encarregue desta mesma tarefa uma sobrinha. Da “Estação” a bandeira segue para a igreja onde há missa é ai fica até ao ano seguinte.
 
A ENTRADA DA SRª DO PRANTO
Esta romaria consiste em levar a bandeira de Lamas a Dornes, realiza-se no segundo domingo a seguir da Páscoa.
Antigamente a bandeira era recebida por uma casal quando esta vinha de Dornes. Este casal distribuía flores por toda a gente que vinha à romaria.
Hoje em dia a romaria faz-se na mesma. A bandeira vai à sexta-feira para Dornes e regressa no domingo indo directa para a igreja. Esta romaria é muito antiga há um quadro na igreja comemorando das 100 anos.
Havia uma tradição que caiu em desuso. Quem fosse pela primeira vez a Dornes tinha que bater rabo uma pedra que lá há no adro da igreja.
 
PULHAS
As Pulhas começavam em janeiro e iam até ao Entrudo. Faziam-se versos e diziam-se por um funil durante a noite. Da Lapa dos Carvalhos diziam-se para Pousafoles. Da Cabeça de Lamas diziam-se para Casais de S. Clemente.
Ainda te deito uma pulha
A outra te quero deitar
As raparigas de Lamas
Andam mortas por casar.
Sr. Samuel Lopes
Ainda te deito outra
Esta vai desta maneira
O amigo Joaquim Filipe
Está á espera da candangueira
E ainda te deito uma pulha
E ao me digas que não
Quando estavas junto dele
Ele deu-te um xi coração
Ainda te deito outra
Outra te quero deitar
Se tu gostasses de  mim
Vinha-me logo buscar
Ainda te deito outra
Esta vai dar à mão
As raparigas de agora
Sofrem do coração
As pulhas são brincadeiras
Do tempo do Carnaval
A mocidade de agora
E que não sabe brincar
D. Augusta Soares
 
CHOCALHADAS
Tradição popular feita aos casais que se casavam por altura do Carnaval.
Um grupo de foliões vestia-se a rigor, um homem vestia-se de noiva e uma rapariga de noivo, enfeitavam uma carroça puxada por um burro, o acompanhamento munia-se de instrumentos de músicas, latas, caixas, chocalhos, e iam esperar os noivos à saída da igreja.
Quando os noivos saíssem da igreja a rapariga vestida de noivo ia “roubar” a noiva, o rapaz vestido de noiva “roubava” o noivo, montavam para a carroça e levavam-nos até à porta da casa onde se fazia a boda, o acompanhamento ia sempre a fazer barrulho. Era costume oferecer-se uma “bucha” ao grupo de foliões.
Sr. Fernando
Chão de Lamas
 
O MACHADO
Dois homens seguiam por uma estrada fora. Como se dirigiam para o mesmo sítio tinham combinado ir juntos, para fazerem companhia um ao outro e para se ajudarem mutuamente nas surpresas da viagem.
A certa altura apareceu a um lado da estrada um machado abandonado, que o mais novo apanhou, dizendo muito contente:
- Olha achei um machado!
- Não digas achei – aconselhou o mais velho – diz achamos, uma vez que vimos juntos e que o que encontramos de bem ou mau pelo caminho tem de ser dos dois.  
- Mas isto é outra coisa – protestou o primeiro – porque quem viu o machado fui eu é que o apanhei, portanto e meu e muito meu.
Estavam nisto quando viram à sua frente um homem muito mal encarado. Era o dono do machado e avança para ele zangadíssimo.
- Agora é que estamos mal – disse com medo o que tinha apanhado o machado.
- Estamos não – respondeu o outro – estás,
Porque se quiseste só pra ti o que era bom. Também deves ficar sozinho com que é mau. Os bons amigos conhecem-se por repartirem entre si tanto o mal como o bem. Adeus!
E afastou-se deixando o outro sozinho na estrada.
Fernanda
 
REI D. CARLOS
Em Fervenças havia a casa de um fidalgo
A casa do fidalgo tinha as cantarias e as armas reais à porta, agora já caiu tudo.
Esse fidalgo tinha muitas terras no tempo da azeitona e das vindimas vinha muita gente da serra ali trabalhar. O fidalgo tinha as “governantas” que faziam as refeições para o pessoal. Enquanto esperavam pelo almoço e jantar os trabalhadores traziam instrumento de musica faziam um rancho e dançavam.
Nessa casa do fidalgo era recebido o Rei D. Carlos que vinha fazer caçadas na zona de Lamas.
Quando o Rei vinha para se saber quando ele chegava pelo caminho distribuiam-se homens do lugar, um em Lamas, outro ao cimo do lugar e assim iam transmitindo a mensagem.
Uma vez um desses homens que estavam à espera do Rei que julgo que era julgo que era o meu avô Antonio Pedro Fidalgo, resolveu perguntar a um da comitiva do Rei qual deles era o Rei.
Ao que lhe respondeu – “Quando chegarmos, aquele que não se descobrir (tirar o chapéu) é que é o Rei”.
Continuaremos o caminho e quando chegaram ao destino apenas ficou com o chapeu o Rei e o homem que tinha feito a pergunta.
E este virando-se para o Rei disse:
- O sehor disse que aquele que não se descobrisse era o Rei ora eu não me descobri o senhor também não, então o Rei ou sou ey ou é o senhor! 
Sr. Amadeu Lopes
Fervenças-Lamas
 
O FIDALGO DE FERVENÇAS
Em Fervenças havia uma casa de um fidalgo que tinha cantarias e armas reais à porta. A minha mãe contou-me uma historia sobre esse fidalgo.
O fidalgo de Fervença tinha um homem de Pousafoles que trabalhava para ele diariamente.
Um dia o Fidalgo disse-lhe “Amanhã agarras naquela estátua de madeira e vais rachá-la para fazer lenha. O homem achou mal empregada e pediu ai Fidalgo: - Não estrague a estátua que amanhã trago-lhe uma carrada de lenha e o senhor dá-me a estátua. Mas o Fidalgo respondeu-lhe: _ Olha lá mas tu pensas, que por causa do bocado de lenha, eu não quero é cá essa estátua velha. 
Depois de muita prosa o Fidalgo lá acedeu ficar com a lenha em troca da estátua. No outro dia o homem trouxe o carro de bois carregado de lenha e levou a estátua. Pelo caminho de volta a Pousafoles, com os balanços do caminho a estátua começa a deitar ouro, estava cheia de moedas de ouro.
Sr. Amadeu Lopes
Fervenças-Lamas
 
MUSICAS DA FREGUESIA DE LAMAS
 
MARCHA DE LAMAS
 
Lá vai a marcha
Do lugar de Lamas
A vida alegre
Sempre a cantar
Deixem passar
Vai aqui o lugar de Lamas
Vai aqui o lugar de Lamas
Viva a nossa mocidade.
 
CANÇÃO DE LAMAS
 
À entrada de Lamas
achei um dedal
com letras que dizem
"Viva Portugal".
 
Ó Lamas, ó linda terra
Ó Lamas lindo jardim
Ó Lamas linda terra
A terra onde eu nasci.
 
CANTIGA DE LAMAS
 
Ó Lamas, ó linda terra 
Perdida na serra de encantar 
A brilhar e nós aqui estamos 
Com a nossa salvação 
Ó Lamas, tu estás no nosso coração.
 
Haja saúde, animação 
Que esta é a mensagem 
Da nossa salvação 
Haja alegria nesta festa popular
Que nós com simpatia
Aqui vimos realizar.